sexta-feira, 29 de maio de 2009

Grande visibilidade

Com Selton Mello e Luana Piovani no elenco, A Mulher Invisível segue a
bem-sucedida linha das comédias românticas brasileiras.

Unanimidade no cinema mundial, o gênero “comédia romântica” está conquistando, cada vez mais, seu espaço entre as produções nacionais. Depois de Se Eu Fosse Você 2, que superou os R$ 50 milhões em bilheteria, e Divã, com mais de um milhão de espectadores em poucas semanas de exibição, chega às telonas no mês de junho o bastante aguardado A Mulher Invisível, protagonizado por Selton Mello e Luana Piovani.

Após ser abandonado pela esposa, Pedro (Selton) cai em depressão e deixa a vida desmoronar ao seu redor. Sua crise emocional é acompanhada pela sonhadora Vitória, que mora no apartamento ao lado e sempre foi apaixonada por ele, mesmo sem nunca ter tido coragem de se declarar. Depois de meses de isolamento, Pedro atende à porta durante certa madrugada e depara-se com a mulher mais linda do mundo: Amanda (Luana). Perfeita em todos os sentidos, a nova vizinha buscava uma xícara de açúcar e ganhou o coração do solitário rapaz.

Mas Pedro não consegue convencer outras pessoas, como seu colega de trabalho Carlos (Vladimir Brichta), da existência dessa “mulher ideal” por quem se apaixonou, já que ninguém nunca a viu ou ouviu. Desconfiado da sanidade mental do amigo, Carlos decide investigar o quão real é a tal mulher invisível. Escrito, produzido e dirigido por Claudio Torres, o irreverente longa também conta com o talento de Vladimir Brichta, Maria Manoella, Fernanda Torres – em cenas hilariantes, e as participações especiais de Maria Luisa Mendonça, Paulo Betti e Lúcio Mauro.

Com a palavra: Claudio Torres

Em um rápido bate-papo por telefone, o cineasta Claudio Torres comentou a escolha do elenco, falou de seus novos projetos e descreveu sua “mulher ideal”.

Como surgiu a inspiração para escrever A Mulher Invisível?

Claudio Torres – Mais do que uma inspiração, a idéia veio do dever de fazer uma comédia romântica, da vontade de fazer cinema no Brasil circulando por todos os gêneros. Queria fazer um filme que dialogasse com o espectador, que interessasse distribuidores, exibidores e público.

Você já tinha algum ator em mente quando criou os personagens? E o que você achou do desempenho do elenco?

Torres – Sim, o Selton e a Luana já estavam na minha cabeça desde a sinopse. Foi muito bacana trabalhar com eles, com todo o elenco na verdade. A Luana se diverte muito quando representa mulheres como ela mesma, que brincam com a sexualidade, mas sem deixar de emprestar sentimento à personagem. O Selton é o tipo de ator que leva o filme sozinho, cinema requer “protagonismo” e ele cumpre bem essa função. Para interpretar o Carlos precisávamos de um ator de carisma e o Vladimir (Brichta) realizou um trabalho irretocável. A Maria (Manoella) é uma atriz de muita sensibilidade, nós queríamos alguém como ela, um rosto novo, um rosto anônimo, para a Vitória que é responsável pela parte mais difícil do filme, sem atributos fantásticos. São atores que entregam o que foi encomendado, conseguimos reunir um elenco incrível.

E como foi trabalhar com sua irmã (a atriz Fernanda Torres)?

Torres – Foi um presente que ela me deu! A Fernanda estava grávida de oito meses na época, nós precisávamos calcular o plano de filmagem evitando a lua cheia para o Antonio não nascer antes dela concluir a participação no filme.

Como será o lançamento do filme no Brasil? Ele chegará, também, ao mercado externo?

Torres – O lançamento aqui será corajoso, com algo entre 150 e 200 cópias. Vamos aproveitar o mercado aquecido pelos brasileiros que estão indo ver comédias nacionais. Temos boas razões para crer que ele deva entrar para o “clube dos 50” (filmes que obtém mais de R$ 50 milhões em bilheteria). Mas como este é um projeto concebido para o mercado brasileiro, não temos planos de lançá-lo no exterior, mas alguns países estão negociando os direitos de refilmagem. Já podemos confirmar uma versão turca.

Quais são seus próximos projetos?

Torres – Para 2010 teremos O Homem do Futuro, com Wagner Moura, sobre um cara que volta no tempo para impedir a si mesmo de virar um babaca. E em 2011 devo lançar A Sogra onde vou trabalhar com minha mãe (a estrela Fernanda Montenegro).

E para você, como é uma mulher ideal?

Torres – No filme, entre Amanda e Vitória, seria a Vitória, sincera e realista. Manter uma idealização dá muito trabalho. Mas, mulher ideal mesmo é a minha (a atriz Maria Luisa Mendonça).

(Matéria publicada na revista VER VIDEO / Edição 191 / Maio-Junho de 2009)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A grande virada

Lilia Cabral une-se a José Mayer e Reynaldo Gianecchini em comédia saborosa.

Assistida por quase 200 mil pessoas, a peça Divã – baseada no romance homônimo da escritora gaúcha Martha Medeiros – chega o cinema em uma ótima adaptação, que leva ao riso e às lágrimas com a mesma facilidade. Estrelado por Lilia Cabral, que também protagonizou a montagem teatral, o filme conta com um elenco afinado que inclui José Mayer, Reyanldo Gianecchini e Cauã Reymond, além dos divertidíssimos Alexandra Richter e Paulo Gustavo.

Com direção de José Alvarenga Jr. (Os Normais – O Filme) e roteiro de Marcelo Saback, que também assinou a versão para o teatro, Divã narra a história de Mercedes (Lilia Cabral), uma mulher de 40 e poucos anos, casada e mãe de dois filhos, que decide, mesmo sem saber bem o porquê, procurar um psicanalista. No divã, Mercedes questiona o seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução. A melhor amiga Mônica (Alexandra Richter) vê de perto a transformação de Mercedes e participa de suas novas experiências e descobertas, apesar de nem sempre concordar com suas escolhas. As revelações da protagonista para o analista, assim como as conversas com a amiga, dão novo rumo a sua vida que, se a princípio parecia boa, estável e sem grandes emoções, sofre uma grande virada.

Sucesso sazonal

Na capital paulista, foram realizados dois eventos para promover o lançamento da comédia, que estreou dia 17 de abril em cerca de 150 salas. A equipe da VER VIDEO participou da coletiva de imprensa e da pré-estreia que aconteceram na quinta-feira, 2 de abril, com a presença de Lilia Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini, Paulo Gustavo, Marcelo Saback, José Alvarenga Jr. e Iafa Britz, uma das produtoras do filme.

Orgulhoso do projeto, José Alvarenga Jr. contou que “ao assistir à peça, fiquei tocado com a reação do público e, ali, eu percebi que tinha um filme. A Lilia ficou surpresa com a idéia, riu e seis meses depois me disse que tinha conseguido a autorização da Martha Medeiros”. E continua, “no fim das contas, o filme é fiel ao livro e também à peça, mas, ao mesmo tempo, criamos um universo particular”.

Sobre a indústria do cinema no Brasil, Alvarenga afirma que “é preciso haver pluralidade para que o produto nacional possa crescer, ainda é muito sazonal, mas está se estruturando”. Em relação a Divã, o diretor aposta no sucesso, “estamos trabalhando muito para isso”.

Uma história humana

A sempre talentosa Lílian Cabral, protagonizando pela primeira vez um longa-metragem, conta que passou por transições em sua vida como a personagem Mercedes, “já passei por separações, rompimentos por traição, encontros com homens mais jovens, algumas das situações do filme são reais, como a da meia de nylon e o mau jeito na coluna, que realmente aconteceram comigo”.

“Essa é uma história simples, é uma história humana”, acrescenta Lilia. “Creio que ela possa influenciar relacionamentos verdadeiros, levar as pessoas a louvar a amizade e garantir que dure para o resto da vida”, conclui a atriz.

Interpretando Gustavo, marido de Mercedes, José Mayer diz que aceitou o convite para o papel considerando vários fatores como texto e parcerias – referindo-se ao diretor e aos co-astros. “O filme tem, sobretudo, conteúdo. É uma comédia que se sustenta em cima de substância, não busca o riso fácil”, explica o ator. E continua, “são todos grandes personagens, é um filme cheio de esperança que propõe que a mudança está ao alcance de todos”.

O sempre sorridente Reynaldo Gianecchini concorda com Mayer nos elogios ao filme, e declara “queria muito ajudar a contar essa história, trabalhei feliz todos os dias e fiquei empolgado com o resultado”.

Em momento de descontração final, José Alvarenga Jr. conta que, ao anunciar para Marcelo Saback que os pares da personagem de Lilia no filme seriam interpretados Mayer, Gianecchini e Reymond, ouviu do roteirista o seguinte comentário: “com esse elenco masculino, ela faz análise para quê?”. Brincadeiras a parte, Divã tem tudo para ingressar na lista de novos sucessos do cinema nacional.

Foto: Mario Villaescusa
(Matéria publicada na revista VER VIDEO / Edição 190 / Maio de 2009)
Na corda bamba

Com verba estatal reduzida e escassez de patrocínios privados, o cinema brasileiro corre o risco de entrar em crise.

Se, historicamente, as pessoas consomem mais entretenimento nas épocas de crise, a retração dos patrocínios privados começa a afetar severamente a produção de filmes nacionais. Segundo a Ancine – Agência Nacional de Cinema, 30% dos recursos do setor vinham de empresas particulares, mas, temem os produtores, esta quota deverá ser significativamente reduzida em 2009.

O crescimento econômico dos últimos anos vinha motivando empresas privadas a apoiar, cada vez mais, o cinema brasileiro. Como incentivo, os patrocinadores valem-se das Leis do Audiovisual e Rouanet, que permitem deduções fiscais do capital investido. Mas, aparentemente, tais empresas estão segurando suas rédeas por precaução, optando por mantendo dinheiro em caixa para atravessar um período que não promete ser fácil. Para completar, as grandes estatais, responsáveis pela maior parte dos financiamentos, também reduziram ou encerraram suas ações; apenas em 2008, a Petrobras deixou de aplicar R$ 20 milhões no mercado audiovisual e o BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ainda não definiu quais projetos serão promovidos este ano.

A produtora Iafa Britz, sócia da Total Entertainment e uma das diretoras do Festival do Rio, afirma que “a indústria de cinema brasileira ainda não é auto-sustentável, nós precisamos muito contar com o apoio do setor privado”. Apesar de ter conseguido arrecadar R$ 16 milhões para rodar Lula, o Filho do Brasil, o produtor Luiz Carlos Barreto confirma a crise que se instala, “as captações privadas caíram cerca de 70%”.

Caminho alternativo

Paralelamente, o cinema brasileiro vive um bom momento no panorama mundial. Como exemplo, quatro produções nacionais participaram, em 2008, de importantes festivais: Ensaio Sobre a Cegueira e Linha de Passe disputaram a Palma de Ouro em Cannes, enquanto Veneza selecionou, para concorrer ao Leão de Ouro, Terra Vermelha e Plastic City. Em comum, além da visibilidade mundial, há o fato de que todos são co-produções internacionais.

O Brasil já mantém acordos com Alemanha, Espanha, França, Canadá, Argentina e Chile, adicionalmente às parcerias com o Convênio de Integração Cinematográfica Ibero-Americana e o Acordo Latino-Americano de Co-Produção Cinematográfica, além de estar em negociação com Israel, Índia e China.

Entre os benefícios de uma produção conjunta, está a divisão de tarefas práticas e criativas, desde a captação de recursos até a produção e distribuição do filme em si. A dupla – ou múltipla – cidadania de uma produção assegura acesso a mecanismos públicos de financiamento e vantagens de comercialização, aumentando as garantias de retorno financeiro. “A existência de um mercado internacional foi o que fez com que os filmes se tornassem rentáveis – afinal, eles deram mais dinheiro fora do Brasil”, declarou Karim Aïnouz, diretor das co-produções Madame Satã e O Céu de Suely, em entrevista ao portal de cinema Filme B.

Apesar do processo complexo e de eventuais discrepâncias culturais, a co-produção pode ser, principalmente em tempos de recessão, uma alternativa para manter a máquina cultural brasileira em movimento.

Co-produções para ficar de olho:
Terra Vermelha (Itália)
No Meu Lugar (Portugal)
Dores, Amores e Assemelhados (Portugal)
Budapeste (Portugal, Hungria)
A Festa de Menina Morta (Portugal, Argentina)
Café de Los Maestros (Argentina)
Olhos Azuis (Argentina)
31 Minutos (Chile)
Gringos no Rio (França)
Última Parada – 174 (França)
Entre a Dor e o Nada (Espanha)
Minhocas (Canadá)
Federal (Colômbia, Hungria)
Plastic City (Hong Kong)
Tamarindo (Índia)

* Fontes: Filme B (
www.filmeb.com.br) e Ancine (http://www.ancine.gov.br)

(Publicado na revista VER VIDEO / Edição 190 / Maio de 2009)