Plano para eliminar Hitler traz Tom Cruise ao Brasil
Se fosse bem sucedida, a ambiciosa Operação Valquíria teria mudado os rumos da história.
“Temos que mostrar ao mundo que não somos todos como ele. De outra forma, esta será sempre a Alemanha de Hitler”. A frase de Henning von Tresckow, personagem de Kenneth Branagh no filme, resume o plot central de Operação Valquíria e o pensamento de gerações e gerações de alemães, desfazendo o frágil mito de uma 2ª. Guerra Mundial onde todos eram nazistas leais a Hitler.
A superprodução, que estreou no Brasil em 13 de fevereiro, acompanha o desenrolar da mais ambiciosa conspiração para matar o ditador alemão. Se bem sucedido, o atentado de 20 de julho de 1944 teria encerrado a guerra mais cedo e mudado os rumos da história.
Longe de seus habituais super-heróis ficcionais, o diretor Bryan Singer (X-Men, Superman – O Retorno) conduz com sensibilidade, mas sem excesso de sentimentalismo, um elenco afinado e uma trama bem-amarrada. Aqui, Tom Cruise personifica o coronel Claus von Stauffenberg, um oficial chocado com os horrores da guerra que, por amor a seu país e sua família, lidera um complô contra Hitler e seus aliados no poder. Para tanto, a idéia era utilizar um projeto criado pelo próprio ditador para estabilizar o país no caso de sua morte – a Operação Valquíria do título – para derrubar o regime nazista após assassinar o cruel líder alemão.
Os elogios à sóbria atuação de Cruise, que vestiu o papel como havia feito anteriormente em produções como O Último Samurai, estendem-se ao brilhantismo e exatidão no desempenho de seus colegas de elenco, Bill Nighy, Tom Wilkinson, Terence Stamp, Eddie Izzard, Carice van Houten, David Bamber – impecável como Hitler, e o já mencionado Branagh.
Em visita ao Brasil, o astro Tom Cruise recebeu a imprensa latino-americana (eu, inclusive) no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, numa tarde muito quente de fevereiro. Distribuiu fartamente seu famoso sorriso, mencionou várias vezes as alegrias e responsabilidades de ser pai de família, e não poupou elogios a seu personagem e à equipe envolvida na produção, descrita por ele como “um filme incrivelmente desafiador”.
“Estou aqui para entreter as pessoas”
“Stauffenberg não buscava a redenção, queria fazer a coisa certa”, afirmou Cruise sobre seu protagonista, “não era arrogante para achar que merecia redenção, queria o certo para seu país e sua família”. Ao traçar um paralelo entre os heróis de sua carreira, o astro afirmou que “este é um personagem muito diferente e é importante que as pessoas saibam que existiu alguém assim, que existiu resistência na Alemanha nazista”.
Decididos a filmar no local dos acontecimentos reais, os produtores depararam-se com uma série de obstáculos. Curiosamente, a presença de Cruise parecia ser o maior impedimento uma vez que o ator pertence à Cientologia que, na Alemanha, é considerado um culto perigoso. A própria família de Stauffenberg dividiu-se, a produção enfrentou severas críticas por um dos filhos do herói, Berthold Maria von Stauffenberg, mas recebeu o apoio de um de seus netos, Philipp.
Questionado sobre o assunto, Cruise responde: “tenho lidado com situações como essa por toda a minha carreira. Mas o filme é uma co-produção alemã e a resistência foi por parte de poucos. O alarde da internet foi maior do que a realidade”, e confessa, “sempre espero muito dos meus filmes, de mim mesmo, não faço filmes simplesmente por fazer, mas me acostumei a lidar com coisas assim, o que podemos fazer é um bom filme e curtir o processo”.
Não foi difícil para Operação Valquíria liderar as bilheterias mundiais, como costuma acontecer com todas as produções que trazem o nome de Tom Cruise à frente de seu cartaz. Interessante ressaltar que na Alemanha, apesar de toda polêmica, rendeu mais que qualquer filme estrangeiro já exibido no país. “Estou muito orgulhoso de quão bem o filme vai indo”, declarou o astro.
Ao lado de outras produções recentes como O Leitor e O Menino do Pijama Listrado, Operação Valquíria parece colaborar para uma mudança na imagem dos personagens daquela época. “Este é um filme de interesse mundial”, aposta Cruise, “quem quiser conhecer a história, vai experimentar história, mas quem busca apenas entretenimento vai encontrar aventura, romance, ação, drama”, acrescenta.
Há algum conflito entre seus lados executivo e artístico? Perguntam a Tom, também produtor do filme, e a resposta vem rápida: “são trabalhos complementares, mas eu sou um ator em primeiro lugar”. E continua, “estou aqui para entreter as pessoas, gosto de me desafiar e não deixo que a parte burocrática do trabalho fique no caminho da concepção artística”.
No final do bate-papo, ao ser questionado sobre um possível interesse em rodar algum filme no Brasil – como vem acontecendo com uma série de astros internacionais – Tom Cruise responde de imediato: “absolutamente sim!”. Conquistados por sua simpatia, jornalistas e fãs torcem por isso.
Versões diversas
Complementando o lançamento do filme, chegam ao Brasil três livros sobre a famosa missão liderada por Stauffenberg. Sob o mesmo título, Operação Valquíria, as obras foram escritas pelo alemão Tobias Kniebe (editora Planeta, 322 páginas, R$ 44,90), o espanhol Jesús Hernãndez (editora Novo Século, 338 págs, R$ 39,90) e, um dos próprios conspiradores, Philipp Freiherr von Boeselager, falecido em maio do ano passado (editora Record, 194 págs, R$ 34,00).
(Entrevista publicada na revista VER VIDEO / Edição 188 / Março de 2009)