terça-feira, 24 de março de 2009


Forster, Marc Forster!

“Eu gosto de me desafiar, gosto de fazer o que nunca fiz antes porque quando você faz algo novo há sempre a chance de crescer e isso é muito importante para mim”

Criado na década de 50 pelo escritor britânico Ian Fleming, o personagem James Bond tornou-se uma das mais bem-sucedidas franquias na história do cinema. Quantum of Solace, o vigésimo segundo longa protagonizado pelo agente secreto 007, fez mais de US$ 570 milhões nas bilheterias mundiais em 2008 e chegou agora, dia 25 de março, às locadoras brasileiras.

Parte do sucesso de Quantum of Solace vem da ágil e criativa direção do suíço-alemão Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca, O Caçador de Pipas) que, em conversa exclusiva com a jornalista que aqui vos escreve, se declarou fã de Walter Salles e Oscar Niemeyer e falou sobre a experiência de estar à frente de uma superprodução.

Quantum of Solace pode ser considerado continuação de Cassino Royale? Isto facilitou ou dificultou seu trabalho?

Marc Forster – Sim, creio que possa ser considerada uma continuação. Foi interessante porque os personagens já estavam construídos e eu tive a oportunidade de movê-los em uma direção diferente, o que me deu bastante liberdade de trabalhar.

Você foi influenciado por algum dos filmes de James Bond?

MF – Eu gosto de alguns dos mais antigos como 007 Contra o Satânico Dr. No, 007 Contra Goldfinger e Moscou Contra 007 então incluí algumas referências, homenagens, a eles, mas fora isso eu fiz meu próprio filme.

Você é fã de 007? Quais seus preferidos?

MF – Gosto dos filmes mas não me consideraria uma fã, mas sempre gostei do personagem James Bond. Meus favoritos posso dizer que são mesmo 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, 007 Contra o Satânico Dr. No, 007 Contra Goldfinger e Moscou Contra 007.

As cenas de ação são impressionantes. Será que as experiências anteriores de Dan Bradley (diretor assistente) contribuíram com isso?

MF – Sim, para fazer seqüências como a da abertura com a perseguição de carros conversei muito com Dan, achei que ele tinha feito um ótimo trabalho em Supremacia Bourne, entre outros filmes, e sabia que ele entenderia o que eu queria e que poderia me ajudar a conseguir. Diverti-me muito trabalhando com ele que, sim, contribuiu muito para a ação do filme.

Daniel Craig não esconde que é seu fã. E o que você comenta sobre o desempenho dele como Bond?

MF – Acho a atuação dele muito, muito charmosa, abrangente e real. Em minha opinião, ele tornou o personagem mais vulnerável, eu sinto que Daniel humanizou James Bond e isso foi muito importante para que eu aceitasse o trabalho.

Foi divulgado que mais de 400 atrizes foram testadas para o papel de Camille. É verdade que atrizes brasileiras participaram da seleção? Se sim, você lembra alguma delas?

MF – Eu assisti cerca de 400 vídeos, mas trouxe apenas 20 atrizes para ler para mim e somente cinco leram com Daniel (Craig). Sim, é verdade que garotas brasileiras foram testadas, mas, sinto muito, não lembro nenhum nome.

Como foi fazer um filme de 007? Há outro Bond em seu futuro?

MF – Dirigir o filme foi uma ótima experiência e estou muito feliz por tê-lo feito. Ofereceram-me a direção do próximo, mas eu prefiro fazer um filme menor agora. Então, creio que não, não há outro Bond no meu futuro... mas “nunca diga nunca”!

Você parece estar sempre se renovando, não se fixa a nenhum gênero cinematográfico. Por que?

MF – Porque eu gosto de me desafiar, gosto de fazer o que nunca fiz antes porque quando você faz algo novo há sempre a chance de crescer e isso é muito importante para mim.

Entre seus filmes, há algum preferido?

MF – Eu gosto de todos, entende, é como filhos e não se consegue ter um favorito, ama a todos da mesma maneira. Mas posso dizer que gosto muito de Mais Estranho que a Ficção.

Você dirigiu grandes astros do cinema (como Johnny Depp e Halle Berry) e, também, alguns atores não tão famosos (como o elenco de O Caçador de Pipas). Como é isso?

MF – Cada ator é único, e cada ator precisa de algo diferente. Trazem diferentes sentimentos e experiências, é importante se conectar com o ser humano e entendê-lo. É preciso se conectar com a pessoa de modo a compreender suas necessidades, porque todos precisam de uma atenção diferente, de uma direção diferente, sempre depende do indivíduo, não importa se é um astro ou não. Mas eu tive muita sorte, trabalhei com todos de forma muito positiva.

Depois de Quantum of Solace, você recebeu propostas para dirigir produções maiores?

MF – Sim e não. Eu sempre recebi propostas assim e costumava dizer ‘não’. Então pensei, ‘vamos fazer Quantum e ver se vale a pena fazer um filme comercial’. Valeu a pena, mas no momento não é interessante para mim fazer outra superprodução.

O que pode nos contar sobre seus próximos projetos? Verdade que está trabalhando em uma produção com Will Smith?

MF – Sim, estamos produzindo algo juntos, mas ele não deve estrelar e eu não vou dirigir, será algo diferente para ambos. Mas ainda é muito cedo para comentar, eu estou desenvolvendo alguns outros projetos também e não estou certo qual será meu próximo lançamento.

O que você acha do cinema brasileiro? Já viu algum filme?

MF – Sim, é claro, conheço Walter Salles e acho o trabalho dele realmente fantástico, vocês têm grandes diretores!

Gostaria de filmar no Brasil algum dia?

MF – Eu amo o Brasil. Só conheço Rio de Janeiro e São Paulo, mas espero ter a chance de visitar Brasília porque acho a arquitetura de Niemeyer fantástica, é algo que eu sempre quis conhecer. O Brasil é maravilhoso, gostaria muito de passar as férias no país ou poder, algum dia quem sabe, fazer um filme aí.

Quantum of Solace

Lançamento mundial da MGM e da Fox Home Entertainment, a trama de Quantum of Solace segue de onde Cassino Royale terminou, com James Bond (Daniel Craig) determinado a encontrar os assassinos da única mulher que realmente amou. Sua busca o leva a uma organização criminosa conhecida como “Quantum” e ao misterioso Dominic Greene (Mathieu Amalric). A bela Camille (Olga Kurylenko) surge na jornada do agente 007. Juntos, correm contra o relógio na tentativa de neutralizar Greene e seus planos sinistros para derrubar um governo e controlar o abastecimento de água do país. Os extras da versão rental do DVD incluem clipe musical, teaser e trailer.

(Entrevista publicada na revista VER VIDEO / Edição 189 / Abril de 2009)

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