quarta-feira, 27 de outubro de 2010

O BRASIL COM SERRA: MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS

O BRASIL COM SERRA: MANIFESTO DE ARTISTAS E INTELECTUAIS: "Votamos em Serra! Ele tem história. Serra está na origem de obras fundamentais nas áreas da Cultura, da Educação, da Saúde, da Infraes..."

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

OAB, ABI e FNPJ defendem retorno do diploma
em audiência na Câmara*

Durante audiência pública realizada nesta quinta-feira, 17/09, na Câmara dos Deputados, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), o Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo (FNPJ) e a Fed eração Nacional dos Jornalistas (FENAJ) defenderam em bloco que o Congresso Nacional restabeleça a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista.

Com a derrubada do diploma, nem mesmo o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) sabe ao certo qual será o critério de acesso à profissão. Solange Furtado, que participou da audiência pública representando o ministro do Trabalho Carlos Lupi, confirmou desconhecer se o MTE continuará concedendo registro profissional aos jornalistas brasileiros após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). "A emissão de registros ficará suspensa até uma manifestação jurídica da Advocacia Geral da União ou a publicação do acórdão do STF", afirmou.

Convidados a participar do debate, nenhum representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e do STF compareceu a audiência convocada pelos deputados Miguel Correa (PT/MG) e Iran Barbosa (PT/SE).

Exatamente 90 dias após a desastrosa decisão do STF, a ausência dos segmentos contrários ao diploma na segunda audiência pública promovida na Câmara dos Deputados – dessa vez nas Comissões de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio e de Legislação Participativa - foi alvo de críticas por parte do deputado Correa, do presidente do FNPJ, Edson Spenthof, do ex-presidente da FENAJ, Luis Carlos Bernardes, e do atual presidente da Federação, Sérgio Murillo de Andrade. "A ANJ e a ABERT, mais uma vez, desrespeitaram não só os jornalistas, mas o parlamento brasileiro. Eles não têm argumentos convincentes, por isso fogem do debate público", avalia.
O vice-presidente da ABI, Tarcísio Holanda, que representava o presidente da entidade Maurício Azedo, classificou a decisão do STF de "espantosa". "O sistema produtivo tem duas pontas: empregadores e empregados, e o STF atribuiu a uma dessas pontas (patrões) o poder de exigir quem vai ou não ter diploma. É uma decisão espantosa porque a exigência do diploma está amparada na Constituição em todos os sentidos", disse.

A mesma posição foi defendida pelo advogado Osvaldo Pinheiro Ribeiro Júnior, representante do presidente da OAB, Cezar Britto. Ribeiro também defendeu a obrigatoriedade do diploma, prevista no inciso V do artigo 4º do decreto lei 972/69, trecho da regulamentação profissional dos jornalistas que o STF considerou não ter sido acolhido pela Constituição Federal de 1988.

Para ele, o STF errou ao fazer uma interpretação restritiva e não sistêmica do artigo 220 da Constituição, que diz que nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social. Para reforçar o entendimento, Ribeiro lembrou que a própria Constituição, em seu parágrafo 5º, diz que é livre o exercício de qualquer profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. "O STF pecou ao fazer uma interpretação isolada do artigo 220", afirmou.

Para Edson Spenthof, a interpretação do STF também não foi correta. "O jornalismo foi julgado pelo que ele não é", afirmou, explicando que a atividade profissional do jornalismo não constitui exercício da manifestação do pensamento do jornalista, como interpretaram os ministros do STF, mas a mediação das opiniões em disputa na sociedade. "O STF confundiu o jornalista com a sua fonte: o cidadão. Este, sim, opina, mas através do trabalho do jornalista. Se jornalismo é opinião, quem garante o direito fundamental do cidadão de receber informação de qualidade?", questionou.
Spenthof entende que a decisão do STF foi ineficaz do ponto de vista de assegurar ao cidadão o direito de expressar livremente suas opiniões. "O que se pretende há mais de 200 anos é por fim a censura e permitir o acesso de diversas vozes sociais no espaço público, e não dar um microfone a cada cidadão. Como os 180 milhões de brasileiros vão ter acesso à mídia? É essa pergunta o STF tem que responder”, completou.

No batente desde a década de 50, o jornalista Tarcísio Holanda teme que a queda do diploma comprometa a qualidade do jornalismo no Brasil. "Antes da obrigatoriedade do diploma as redações eram apinhadas de profissionais despreparados intelectualmente. O diploma foi importantíssimo para qualificar os profissionais de conhecimentos teóricos e técnicos", constatou o vice-presidente da ABI.

"Respeitamos o Supremo. Mas neste caso, o STF errou feio. Cabe agora ao Congresso Nacional reparar esse erro", resumiu Sérgio Murillo de Andrade, defendendo a aprovação das propostas de emenda constitucional (PECs) que tramitam na Câmara e no Senado com o objetivo de restabelecer a obrigatoriedade do diploma como critério transparente e democrático de acesso a profissão de jornalista.

O Deputato Paulo Pimenta (PT/RS), autor da PEC que tramita na Câmara, também participou sessão e antecipou aos dirigentes da FENAJ que acredita que uma mudança na Constituição deixando claro que não há contradição entre o diploma e o direito à expressão deve ser acolhida não só pelo Congresso, mas também pelo STF. O deputado participou de audiência nesta quarta-feira, 16/09, com o ministro do STF, Carlos Ayres Britto. "Pretendo conversar com os 11 ministros", informou o parlamentar.

* Texto do site FENAJ.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

17h15... uma semana sem a Puppy... que falta gigantesca a nossa gorducha faz!!!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

(Puppy - 27/06/2000 - 09/09/2009)
Nossa Puppy querida morreu ontem à tarde. Apenas um dia após descobrirmos que ela estava com câncer de baço e metástase no pulmão, ela sofreu uma hemorragia, foi operada mas morreu algumas horas depois. Já deveria estar doente há meses, mas sem sintomas, em nenhum momento, nenhum, deixou de ser a cachorrinha mais alegre, barulhenta e amorosa do mundo. O silêncio em casa está fisicamente doloroso... mais um dos nossos anjos lindos que foi embora. Fique em paz, 'borboleta', esperamos angustiadamente por um reencontro nesta ou em outra vida.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CCBB APRESENTA

“LIMA DUARTE: PROFISSÃO ATOR”

Mostra celebra os 60 anos da carreira do ator no cinema

São Paulo – dia 28/07 à 16/08
Rio de Janeiro – dia 31/08 à 20/09

Nascido Ariclenes Venâncio Martins, o mineiro Lima Duarte – um dos mais completos artistas brasileiros, chega aos 79 anos de idade com um rol de personagens memoráveis no rádio, televisão, teatro e cinema. No cinema, a experiência de Lima soma 60 anos e dezenas de produções, e para homenagear esta conquista, o Centro Cultural Banco do Brasil e o curador Amilton Pinheiro promovem a Mostra inédita “LIMA DUARTE: PROFISSÃO ATOR”.

Com patrocínio do Centro Cultural Banco do Brasil, o cronograma do evento inclui, além da exibição de 32 filmes, sessões de debates realizadas durante três quartas-feiras consecutivas com a presença de Lima Duarte e do crítico de cinema Leon Cakoff (CCBB São Paulo, 29/07), e dos cineastas Hermano Penna e Paulo Morelli (CCBB SP 05/08), e Alain Fresnot e Nuno Cesar Abreu (CCBB SP 12/08).

A abertura da Mostra acontece na terça-feira, 28 de julho, às 19h, no Centro Cultural Banco do Brasil em São Paulo, com a exibição de “O Preço da Paz”, dirigido por Paulo Morelli. O CCBB SP fica na Rua Álvares Penteado, nº 112.

PROGRAMAÇÃO SÃO PAULO

TER. 28/07
19h – Cerimônia de Abertura
19h30 – O Preço da Paz.

QUAR. 29/07
15h – Guerra Conjugal.
17h – Palavra e Utopia.
19h30 – ENCONTRO – Lima Duarte e Leon Cakoff.

QUI. 30/07
15h – Depois Daquele Baile.
17h – A Queda.
19h30 – Espelho Mágico.

SEX. 31/07
15h – Boleiros “Era Uma vez o Futebol...”.
17h – Boleiros 2.
19h30 – Contos Eróticos.

SAB. 01/08
15h – A Ilha do Terrível Rapaterra.
17h – A Queda.
19h30 – A Ostra e o Vento.

DOM. 02/08
15h – O Sobrado.
17h – Paixão de Gaúcho.
19h30 – O Preço da Paz.

QUA. 05/08
15h – O Preço da Paz.
17h – Sargento Getúlio.
19h30 – ENCONTRO: Hermanno Penna e Paulo Morelli.

QUI. 06/08
15h – Eu Tu Eles.
17h – Os Sete Gatinhos.
19h30 – Guerra Conjugal.

SEX. 07/08
15h – O Rio do Ouro.
17h – O Jogo da Vida.
19h30 – Os Sete Gatinhos.

SAB. 08/08
15h – Depois Daquele Baile.
17h – Novembrada
Corpo em Delito.
19h30 – Sargento Getúlio.

DOM. 09/08
15h – O Auto da Compadecida.
17h – Dois Filhos de Francisco.
19h30 – Eu Tu Eles.

QUA. 12/08
15h – Lua Cheia.
17h – Novembrada
Corpo Em Delito.
19h30 – ENCONTRO: Nuno César Abreu e Alain Fresnot.

QUI. 13/08
15h – Família Vende Tudo (trailer)
Quase No Céu*
Topografia de Um Desnudo (Making Off).
Procissão dos Mortos.
17h – A Ostra e o Vento.
19h30 – Contos Eróticos.

SEX. 14/08
15h – O Rio do Ouro.
17h – Lua Cheia.
19h30 –O Crime do Zé Bigorna.

SAB. 15/08
15h – O Rei Pelé.
17h – O Jogo da Vida.
19h30 – Espelho Mágico.

DOM. 16/08
15h – O Menino Arco Íris (A Infância do Menino Jesus).
17h – Palavra e Utopia
19h30 – Sargento Getúlio.

SERVIÇO
“LIMA DUARTE: PROFISSÃO ATOR”
Patrocínio: BANCO DO BRASIL
Realização: CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL
Organização e Curadoria: AMILTON PINHEIRO
Ingressos: Cinema: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia-entrada).
Informações: (11) 3113-3651 // www.bb.com.br/cultura

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Grande visibilidade

Com Selton Mello e Luana Piovani no elenco, A Mulher Invisível segue a
bem-sucedida linha das comédias românticas brasileiras.

Unanimidade no cinema mundial, o gênero “comédia romântica” está conquistando, cada vez mais, seu espaço entre as produções nacionais. Depois de Se Eu Fosse Você 2, que superou os R$ 50 milhões em bilheteria, e Divã, com mais de um milhão de espectadores em poucas semanas de exibição, chega às telonas no mês de junho o bastante aguardado A Mulher Invisível, protagonizado por Selton Mello e Luana Piovani.

Após ser abandonado pela esposa, Pedro (Selton) cai em depressão e deixa a vida desmoronar ao seu redor. Sua crise emocional é acompanhada pela sonhadora Vitória, que mora no apartamento ao lado e sempre foi apaixonada por ele, mesmo sem nunca ter tido coragem de se declarar. Depois de meses de isolamento, Pedro atende à porta durante certa madrugada e depara-se com a mulher mais linda do mundo: Amanda (Luana). Perfeita em todos os sentidos, a nova vizinha buscava uma xícara de açúcar e ganhou o coração do solitário rapaz.

Mas Pedro não consegue convencer outras pessoas, como seu colega de trabalho Carlos (Vladimir Brichta), da existência dessa “mulher ideal” por quem se apaixonou, já que ninguém nunca a viu ou ouviu. Desconfiado da sanidade mental do amigo, Carlos decide investigar o quão real é a tal mulher invisível. Escrito, produzido e dirigido por Claudio Torres, o irreverente longa também conta com o talento de Vladimir Brichta, Maria Manoella, Fernanda Torres – em cenas hilariantes, e as participações especiais de Maria Luisa Mendonça, Paulo Betti e Lúcio Mauro.

Com a palavra: Claudio Torres

Em um rápido bate-papo por telefone, o cineasta Claudio Torres comentou a escolha do elenco, falou de seus novos projetos e descreveu sua “mulher ideal”.

Como surgiu a inspiração para escrever A Mulher Invisível?

Claudio Torres – Mais do que uma inspiração, a idéia veio do dever de fazer uma comédia romântica, da vontade de fazer cinema no Brasil circulando por todos os gêneros. Queria fazer um filme que dialogasse com o espectador, que interessasse distribuidores, exibidores e público.

Você já tinha algum ator em mente quando criou os personagens? E o que você achou do desempenho do elenco?

Torres – Sim, o Selton e a Luana já estavam na minha cabeça desde a sinopse. Foi muito bacana trabalhar com eles, com todo o elenco na verdade. A Luana se diverte muito quando representa mulheres como ela mesma, que brincam com a sexualidade, mas sem deixar de emprestar sentimento à personagem. O Selton é o tipo de ator que leva o filme sozinho, cinema requer “protagonismo” e ele cumpre bem essa função. Para interpretar o Carlos precisávamos de um ator de carisma e o Vladimir (Brichta) realizou um trabalho irretocável. A Maria (Manoella) é uma atriz de muita sensibilidade, nós queríamos alguém como ela, um rosto novo, um rosto anônimo, para a Vitória que é responsável pela parte mais difícil do filme, sem atributos fantásticos. São atores que entregam o que foi encomendado, conseguimos reunir um elenco incrível.

E como foi trabalhar com sua irmã (a atriz Fernanda Torres)?

Torres – Foi um presente que ela me deu! A Fernanda estava grávida de oito meses na época, nós precisávamos calcular o plano de filmagem evitando a lua cheia para o Antonio não nascer antes dela concluir a participação no filme.

Como será o lançamento do filme no Brasil? Ele chegará, também, ao mercado externo?

Torres – O lançamento aqui será corajoso, com algo entre 150 e 200 cópias. Vamos aproveitar o mercado aquecido pelos brasileiros que estão indo ver comédias nacionais. Temos boas razões para crer que ele deva entrar para o “clube dos 50” (filmes que obtém mais de R$ 50 milhões em bilheteria). Mas como este é um projeto concebido para o mercado brasileiro, não temos planos de lançá-lo no exterior, mas alguns países estão negociando os direitos de refilmagem. Já podemos confirmar uma versão turca.

Quais são seus próximos projetos?

Torres – Para 2010 teremos O Homem do Futuro, com Wagner Moura, sobre um cara que volta no tempo para impedir a si mesmo de virar um babaca. E em 2011 devo lançar A Sogra onde vou trabalhar com minha mãe (a estrela Fernanda Montenegro).

E para você, como é uma mulher ideal?

Torres – No filme, entre Amanda e Vitória, seria a Vitória, sincera e realista. Manter uma idealização dá muito trabalho. Mas, mulher ideal mesmo é a minha (a atriz Maria Luisa Mendonça).

(Matéria publicada na revista VER VIDEO / Edição 191 / Maio-Junho de 2009)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

A grande virada

Lilia Cabral une-se a José Mayer e Reynaldo Gianecchini em comédia saborosa.

Assistida por quase 200 mil pessoas, a peça Divã – baseada no romance homônimo da escritora gaúcha Martha Medeiros – chega o cinema em uma ótima adaptação, que leva ao riso e às lágrimas com a mesma facilidade. Estrelado por Lilia Cabral, que também protagonizou a montagem teatral, o filme conta com um elenco afinado que inclui José Mayer, Reyanldo Gianecchini e Cauã Reymond, além dos divertidíssimos Alexandra Richter e Paulo Gustavo.

Com direção de José Alvarenga Jr. (Os Normais – O Filme) e roteiro de Marcelo Saback, que também assinou a versão para o teatro, Divã narra a história de Mercedes (Lilia Cabral), uma mulher de 40 e poucos anos, casada e mãe de dois filhos, que decide, mesmo sem saber bem o porquê, procurar um psicanalista. No divã, Mercedes questiona o seu casamento, a realização profissional e seu poder de sedução. A melhor amiga Mônica (Alexandra Richter) vê de perto a transformação de Mercedes e participa de suas novas experiências e descobertas, apesar de nem sempre concordar com suas escolhas. As revelações da protagonista para o analista, assim como as conversas com a amiga, dão novo rumo a sua vida que, se a princípio parecia boa, estável e sem grandes emoções, sofre uma grande virada.

Sucesso sazonal

Na capital paulista, foram realizados dois eventos para promover o lançamento da comédia, que estreou dia 17 de abril em cerca de 150 salas. A equipe da VER VIDEO participou da coletiva de imprensa e da pré-estreia que aconteceram na quinta-feira, 2 de abril, com a presença de Lilia Cabral, José Mayer, Reynaldo Gianecchini, Paulo Gustavo, Marcelo Saback, José Alvarenga Jr. e Iafa Britz, uma das produtoras do filme.

Orgulhoso do projeto, José Alvarenga Jr. contou que “ao assistir à peça, fiquei tocado com a reação do público e, ali, eu percebi que tinha um filme. A Lilia ficou surpresa com a idéia, riu e seis meses depois me disse que tinha conseguido a autorização da Martha Medeiros”. E continua, “no fim das contas, o filme é fiel ao livro e também à peça, mas, ao mesmo tempo, criamos um universo particular”.

Sobre a indústria do cinema no Brasil, Alvarenga afirma que “é preciso haver pluralidade para que o produto nacional possa crescer, ainda é muito sazonal, mas está se estruturando”. Em relação a Divã, o diretor aposta no sucesso, “estamos trabalhando muito para isso”.

Uma história humana

A sempre talentosa Lílian Cabral, protagonizando pela primeira vez um longa-metragem, conta que passou por transições em sua vida como a personagem Mercedes, “já passei por separações, rompimentos por traição, encontros com homens mais jovens, algumas das situações do filme são reais, como a da meia de nylon e o mau jeito na coluna, que realmente aconteceram comigo”.

“Essa é uma história simples, é uma história humana”, acrescenta Lilia. “Creio que ela possa influenciar relacionamentos verdadeiros, levar as pessoas a louvar a amizade e garantir que dure para o resto da vida”, conclui a atriz.

Interpretando Gustavo, marido de Mercedes, José Mayer diz que aceitou o convite para o papel considerando vários fatores como texto e parcerias – referindo-se ao diretor e aos co-astros. “O filme tem, sobretudo, conteúdo. É uma comédia que se sustenta em cima de substância, não busca o riso fácil”, explica o ator. E continua, “são todos grandes personagens, é um filme cheio de esperança que propõe que a mudança está ao alcance de todos”.

O sempre sorridente Reynaldo Gianecchini concorda com Mayer nos elogios ao filme, e declara “queria muito ajudar a contar essa história, trabalhei feliz todos os dias e fiquei empolgado com o resultado”.

Em momento de descontração final, José Alvarenga Jr. conta que, ao anunciar para Marcelo Saback que os pares da personagem de Lilia no filme seriam interpretados Mayer, Gianecchini e Reymond, ouviu do roteirista o seguinte comentário: “com esse elenco masculino, ela faz análise para quê?”. Brincadeiras a parte, Divã tem tudo para ingressar na lista de novos sucessos do cinema nacional.

Foto: Mario Villaescusa
(Matéria publicada na revista VER VIDEO / Edição 190 / Maio de 2009)
Na corda bamba

Com verba estatal reduzida e escassez de patrocínios privados, o cinema brasileiro corre o risco de entrar em crise.

Se, historicamente, as pessoas consomem mais entretenimento nas épocas de crise, a retração dos patrocínios privados começa a afetar severamente a produção de filmes nacionais. Segundo a Ancine – Agência Nacional de Cinema, 30% dos recursos do setor vinham de empresas particulares, mas, temem os produtores, esta quota deverá ser significativamente reduzida em 2009.

O crescimento econômico dos últimos anos vinha motivando empresas privadas a apoiar, cada vez mais, o cinema brasileiro. Como incentivo, os patrocinadores valem-se das Leis do Audiovisual e Rouanet, que permitem deduções fiscais do capital investido. Mas, aparentemente, tais empresas estão segurando suas rédeas por precaução, optando por mantendo dinheiro em caixa para atravessar um período que não promete ser fácil. Para completar, as grandes estatais, responsáveis pela maior parte dos financiamentos, também reduziram ou encerraram suas ações; apenas em 2008, a Petrobras deixou de aplicar R$ 20 milhões no mercado audiovisual e o BNDS (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) ainda não definiu quais projetos serão promovidos este ano.

A produtora Iafa Britz, sócia da Total Entertainment e uma das diretoras do Festival do Rio, afirma que “a indústria de cinema brasileira ainda não é auto-sustentável, nós precisamos muito contar com o apoio do setor privado”. Apesar de ter conseguido arrecadar R$ 16 milhões para rodar Lula, o Filho do Brasil, o produtor Luiz Carlos Barreto confirma a crise que se instala, “as captações privadas caíram cerca de 70%”.

Caminho alternativo

Paralelamente, o cinema brasileiro vive um bom momento no panorama mundial. Como exemplo, quatro produções nacionais participaram, em 2008, de importantes festivais: Ensaio Sobre a Cegueira e Linha de Passe disputaram a Palma de Ouro em Cannes, enquanto Veneza selecionou, para concorrer ao Leão de Ouro, Terra Vermelha e Plastic City. Em comum, além da visibilidade mundial, há o fato de que todos são co-produções internacionais.

O Brasil já mantém acordos com Alemanha, Espanha, França, Canadá, Argentina e Chile, adicionalmente às parcerias com o Convênio de Integração Cinematográfica Ibero-Americana e o Acordo Latino-Americano de Co-Produção Cinematográfica, além de estar em negociação com Israel, Índia e China.

Entre os benefícios de uma produção conjunta, está a divisão de tarefas práticas e criativas, desde a captação de recursos até a produção e distribuição do filme em si. A dupla – ou múltipla – cidadania de uma produção assegura acesso a mecanismos públicos de financiamento e vantagens de comercialização, aumentando as garantias de retorno financeiro. “A existência de um mercado internacional foi o que fez com que os filmes se tornassem rentáveis – afinal, eles deram mais dinheiro fora do Brasil”, declarou Karim Aïnouz, diretor das co-produções Madame Satã e O Céu de Suely, em entrevista ao portal de cinema Filme B.

Apesar do processo complexo e de eventuais discrepâncias culturais, a co-produção pode ser, principalmente em tempos de recessão, uma alternativa para manter a máquina cultural brasileira em movimento.

Co-produções para ficar de olho:
Terra Vermelha (Itália)
No Meu Lugar (Portugal)
Dores, Amores e Assemelhados (Portugal)
Budapeste (Portugal, Hungria)
A Festa de Menina Morta (Portugal, Argentina)
Café de Los Maestros (Argentina)
Olhos Azuis (Argentina)
31 Minutos (Chile)
Gringos no Rio (França)
Última Parada – 174 (França)
Entre a Dor e o Nada (Espanha)
Minhocas (Canadá)
Federal (Colômbia, Hungria)
Plastic City (Hong Kong)
Tamarindo (Índia)

* Fontes: Filme B (
www.filmeb.com.br) e Ancine (http://www.ancine.gov.br)

(Publicado na revista VER VIDEO / Edição 190 / Maio de 2009)

terça-feira, 24 de março de 2009


Forster, Marc Forster!

“Eu gosto de me desafiar, gosto de fazer o que nunca fiz antes porque quando você faz algo novo há sempre a chance de crescer e isso é muito importante para mim”

Criado na década de 50 pelo escritor britânico Ian Fleming, o personagem James Bond tornou-se uma das mais bem-sucedidas franquias na história do cinema. Quantum of Solace, o vigésimo segundo longa protagonizado pelo agente secreto 007, fez mais de US$ 570 milhões nas bilheterias mundiais em 2008 e chegou agora, dia 25 de março, às locadoras brasileiras.

Parte do sucesso de Quantum of Solace vem da ágil e criativa direção do suíço-alemão Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca, O Caçador de Pipas) que, em conversa exclusiva com a jornalista que aqui vos escreve, se declarou fã de Walter Salles e Oscar Niemeyer e falou sobre a experiência de estar à frente de uma superprodução.

Quantum of Solace pode ser considerado continuação de Cassino Royale? Isto facilitou ou dificultou seu trabalho?

Marc Forster – Sim, creio que possa ser considerada uma continuação. Foi interessante porque os personagens já estavam construídos e eu tive a oportunidade de movê-los em uma direção diferente, o que me deu bastante liberdade de trabalhar.

Você foi influenciado por algum dos filmes de James Bond?

MF – Eu gosto de alguns dos mais antigos como 007 Contra o Satânico Dr. No, 007 Contra Goldfinger e Moscou Contra 007 então incluí algumas referências, homenagens, a eles, mas fora isso eu fiz meu próprio filme.

Você é fã de 007? Quais seus preferidos?

MF – Gosto dos filmes mas não me consideraria uma fã, mas sempre gostei do personagem James Bond. Meus favoritos posso dizer que são mesmo 007 A Serviço Secreto de Sua Majestade, 007 Contra o Satânico Dr. No, 007 Contra Goldfinger e Moscou Contra 007.

As cenas de ação são impressionantes. Será que as experiências anteriores de Dan Bradley (diretor assistente) contribuíram com isso?

MF – Sim, para fazer seqüências como a da abertura com a perseguição de carros conversei muito com Dan, achei que ele tinha feito um ótimo trabalho em Supremacia Bourne, entre outros filmes, e sabia que ele entenderia o que eu queria e que poderia me ajudar a conseguir. Diverti-me muito trabalhando com ele que, sim, contribuiu muito para a ação do filme.

Daniel Craig não esconde que é seu fã. E o que você comenta sobre o desempenho dele como Bond?

MF – Acho a atuação dele muito, muito charmosa, abrangente e real. Em minha opinião, ele tornou o personagem mais vulnerável, eu sinto que Daniel humanizou James Bond e isso foi muito importante para que eu aceitasse o trabalho.

Foi divulgado que mais de 400 atrizes foram testadas para o papel de Camille. É verdade que atrizes brasileiras participaram da seleção? Se sim, você lembra alguma delas?

MF – Eu assisti cerca de 400 vídeos, mas trouxe apenas 20 atrizes para ler para mim e somente cinco leram com Daniel (Craig). Sim, é verdade que garotas brasileiras foram testadas, mas, sinto muito, não lembro nenhum nome.

Como foi fazer um filme de 007? Há outro Bond em seu futuro?

MF – Dirigir o filme foi uma ótima experiência e estou muito feliz por tê-lo feito. Ofereceram-me a direção do próximo, mas eu prefiro fazer um filme menor agora. Então, creio que não, não há outro Bond no meu futuro... mas “nunca diga nunca”!

Você parece estar sempre se renovando, não se fixa a nenhum gênero cinematográfico. Por que?

MF – Porque eu gosto de me desafiar, gosto de fazer o que nunca fiz antes porque quando você faz algo novo há sempre a chance de crescer e isso é muito importante para mim.

Entre seus filmes, há algum preferido?

MF – Eu gosto de todos, entende, é como filhos e não se consegue ter um favorito, ama a todos da mesma maneira. Mas posso dizer que gosto muito de Mais Estranho que a Ficção.

Você dirigiu grandes astros do cinema (como Johnny Depp e Halle Berry) e, também, alguns atores não tão famosos (como o elenco de O Caçador de Pipas). Como é isso?

MF – Cada ator é único, e cada ator precisa de algo diferente. Trazem diferentes sentimentos e experiências, é importante se conectar com o ser humano e entendê-lo. É preciso se conectar com a pessoa de modo a compreender suas necessidades, porque todos precisam de uma atenção diferente, de uma direção diferente, sempre depende do indivíduo, não importa se é um astro ou não. Mas eu tive muita sorte, trabalhei com todos de forma muito positiva.

Depois de Quantum of Solace, você recebeu propostas para dirigir produções maiores?

MF – Sim e não. Eu sempre recebi propostas assim e costumava dizer ‘não’. Então pensei, ‘vamos fazer Quantum e ver se vale a pena fazer um filme comercial’. Valeu a pena, mas no momento não é interessante para mim fazer outra superprodução.

O que pode nos contar sobre seus próximos projetos? Verdade que está trabalhando em uma produção com Will Smith?

MF – Sim, estamos produzindo algo juntos, mas ele não deve estrelar e eu não vou dirigir, será algo diferente para ambos. Mas ainda é muito cedo para comentar, eu estou desenvolvendo alguns outros projetos também e não estou certo qual será meu próximo lançamento.

O que você acha do cinema brasileiro? Já viu algum filme?

MF – Sim, é claro, conheço Walter Salles e acho o trabalho dele realmente fantástico, vocês têm grandes diretores!

Gostaria de filmar no Brasil algum dia?

MF – Eu amo o Brasil. Só conheço Rio de Janeiro e São Paulo, mas espero ter a chance de visitar Brasília porque acho a arquitetura de Niemeyer fantástica, é algo que eu sempre quis conhecer. O Brasil é maravilhoso, gostaria muito de passar as férias no país ou poder, algum dia quem sabe, fazer um filme aí.

Quantum of Solace

Lançamento mundial da MGM e da Fox Home Entertainment, a trama de Quantum of Solace segue de onde Cassino Royale terminou, com James Bond (Daniel Craig) determinado a encontrar os assassinos da única mulher que realmente amou. Sua busca o leva a uma organização criminosa conhecida como “Quantum” e ao misterioso Dominic Greene (Mathieu Amalric). A bela Camille (Olga Kurylenko) surge na jornada do agente 007. Juntos, correm contra o relógio na tentativa de neutralizar Greene e seus planos sinistros para derrubar um governo e controlar o abastecimento de água do país. Os extras da versão rental do DVD incluem clipe musical, teaser e trailer.

(Entrevista publicada na revista VER VIDEO / Edição 189 / Abril de 2009)

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009


Triângulo vertiginoso

Desbancando Harry Potter e as Relíquias da Morte da lista dos mais vendidos do New York Times, Eclipse – o terceiro volume da série Crepúsculo – chega ao mercado brasileiro com o assombroso número de 300 mil exemplares. E não é para menos, a aposta da editora Intrínseca é bem fundamentada no sucesso dos dois títulos anteriores e do filme, adaptação do primeiro livro, que arrecadou quase US$ 70 milhões no fim de semana de estréia nos Estados Unidos.

Considerado o preferido dos fãs da saga, Eclipse investe no triângulo amoroso entre a adolescente Bella, seu namorado vampiro Edward, e o rival deste, o lobisomem Jacob. A hostilidade entre as espécies cresce à medida que aumenta o conflito de Bella sobre sua decisão de se tornar vampira. Enquanto o ciumento Edward cerca a jovem de cuidados que beiram a obsessão, Jacob se vale das dúvidas da moça para tentar conquistá-la. Misteriosos assassinatos que assolam a cidade de Seattle servem como pano de fundo para a trama vibrante e bem construída, revelando a evolução da narrativa da autora.

Eclipse (idem)
Autor: Stephenie Meyer
Editora: Intrínseca
Preço sugerido: R$ 39,90

Relendo o passado

Na Alemanha dos anos 60, Michael Berg é iniciado no amor por Hanna Schmitz. Ele tem 15 anos, ela 36. Os encontros do casal são repletos de rituais, entre eles a leitura de clássicos de Tolstoi, Dickens e Goethe. A delicada relação amorosa é abruptamente interrompida pelo desaparecimento de Hanna. Anos mais tarde, Michael, estudante de direito, é convidado para participar de um julgamento contra criminosos nazistas e descobre que sua antiga amante é uma das acusadas. Entre a culpa e a piedade, o jovem precisa encarar seus próprios fantasmas antes de julgar a geração anterior, responsável por inúmeras atrocidades.

Vencedor dos prêmios Welt (Alemanha), Grinzane Carvour (Itália) e Laure Bataillon (França), O Leitor é o livro alemão mais aplaudido desde O Perfume, sendo traduzido para mais de 30 idiomas. Baseado no romance, o filme – distribuído pela Imagem Filmes – rendeu a Kate Winslet o Globo de Ouro de Melhor Atriz Coadjuvante.

O Leitor (Der Vorleser/The Reader)
Autor: Bernhard Schlink
Editora: Record
Preço sugerido: R$ 29,00

Esqueletos expostos

Vindas de toda a Itália e de várias partes da Europa, desembarcam no porto de Nápoles todo tipo de mercadorias, intercaladas a resíduos tóxicos e cadáveres e esqueletos humanos. Em um relato corajoso, o jornalista Roberto Saviano desnuda a Camorra – a máfia napolitana – e sua diversificada atuação, que alcança do mundo da alta-costura e das obras de arte, ao comercio de produtos piratas e o tráfico internacional de drogas. Não hesitando em eliminar quem quer que atravesse seus negócios, os membros dos clãs locais têm conexões nas principais cidades do mundo, inclusive no Brasil.

Roberto Saviano – que viveu infiltrado na Comorra e hoje tem sua cabeça a prêmio – foi homenageado pela Academia Nobel. O livro tornou-se um best-seller mundial, vendendo um milhão de cópias em 40 países, dando origem ao filme Gomorra, vencedor do Grande Prêmio no Festival de Cannes 2008, e lançado no Brasil pela Paris Filmes.

Gomorra – A História Real de um Jornalista Infiltrado na Violenta Máfia Napolitana (Gomorra)
Autor: Roberto Saviano
Editora: Bertrand Brasil
Preço sugerido: R$ 39,00

Pequeno valente

O pequeno Despereaux é um camundongo muito diferente e, desde que nasceu, sempre envergonha a família por sua aparência e suas atitudes. Tem orelhas enormes e hábitos estranhos: é apaixonado por música e prefere ler em vez de comer as páginas dos livros! Quando se apaixona pela princesa humana Ervilha, Despereaux descobre dentro de si a coragem para salvá-la das garras do rato Roscuro, que vive na escuridão mas deseja um mundo cheio de luz, e de sua cúmplice, a sonhadora criada Migalha Sementeira.

De belos castelos a assustadores calabouços, a história de cada um dos personagens se desdobra em muitas aventuras e surpresas, narradas de modo que o leitor se sente parte delas. A adaptação para o cinema – sob o título O Corajoso Ratinho Despereaux – trouxe as vozes de Emma Watson, Dustin Hoffman e Matthew Broderick.

A História de Despereaux (The Tale of Despereaux)
Autor: Kate DiCamillo
Editora: Martins Fontes
Preço sugerido: 32,90

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Plano para eliminar Hitler traz Tom Cruise ao Brasil

Se fosse bem sucedida, a ambiciosa Operação Valquíria teria mudado os rumos da história.

“Temos que mostrar ao mundo que não somos todos como ele. De outra forma, esta será sempre a Alemanha de Hitler”. A frase de Henning von Tresckow, personagem de Kenneth Branagh no filme, resume o plot central de Operação Valquíria e o pensamento de gerações e gerações de alemães, desfazendo o frágil mito de uma 2ª. Guerra Mundial onde todos eram nazistas leais a Hitler.

A superprodução, que estreou no Brasil em 13 de fevereiro, acompanha o desenrolar da mais ambiciosa conspiração para matar o ditador alemão. Se bem sucedido, o atentado de 20 de julho de 1944 teria encerrado a guerra mais cedo e mudado os rumos da história.

Longe de seus habituais super-heróis ficcionais, o diretor Bryan Singer (X-Men, Superman – O Retorno) conduz com sensibilidade, mas sem excesso de sentimentalismo, um elenco afinado e uma trama bem-amarrada. Aqui, Tom Cruise personifica o coronel Claus von Stauffenberg, um oficial chocado com os horrores da guerra que, por amor a seu país e sua família, lidera um complô contra Hitler e seus aliados no poder. Para tanto, a idéia era utilizar um projeto criado pelo próprio ditador para estabilizar o país no caso de sua morte – a Operação Valquíria do título – para derrubar o regime nazista após assassinar o cruel líder alemão.

Os elogios à sóbria atuação de Cruise, que vestiu o papel como havia feito anteriormente em produções como O Último Samurai, estendem-se ao brilhantismo e exatidão no desempenho de seus colegas de elenco, Bill Nighy, Tom Wilkinson, Terence Stamp, Eddie Izzard, Carice van Houten, David Bamber – impecável como Hitler, e o já mencionado Branagh.

Em visita ao Brasil, o astro Tom Cruise recebeu a imprensa latino-americana (eu, inclusive) no Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, numa tarde muito quente de fevereiro. Distribuiu fartamente seu famoso sorriso, mencionou várias vezes as alegrias e responsabilidades de ser pai de família, e não poupou elogios a seu personagem e à equipe envolvida na produção, descrita por ele como “um filme incrivelmente desafiador”.

“Estou aqui para entreter as pessoas”

“Stauffenberg não buscava a redenção, queria fazer a coisa certa”, afirmou Cruise sobre seu protagonista, “não era arrogante para achar que merecia redenção, queria o certo para seu país e sua família”. Ao traçar um paralelo entre os heróis de sua carreira, o astro afirmou que “este é um personagem muito diferente e é importante que as pessoas saibam que existiu alguém assim, que existiu resistência na Alemanha nazista”.

Decididos a filmar no local dos acontecimentos reais, os produtores depararam-se com uma série de obstáculos. Curiosamente, a presença de Cruise parecia ser o maior impedimento uma vez que o ator pertence à Cientologia que, na Alemanha, é considerado um culto perigoso. A própria família de Stauffenberg dividiu-se, a produção enfrentou severas críticas por um dos filhos do herói, Berthold Maria von Stauffenberg, mas recebeu o apoio de um de seus netos, Philipp.

Questionado sobre o assunto, Cruise responde: “tenho lidado com situações como essa por toda a minha carreira. Mas o filme é uma co-produção alemã e a resistência foi por parte de poucos. O alarde da internet foi maior do que a realidade”, e confessa, “sempre espero muito dos meus filmes, de mim mesmo, não faço filmes simplesmente por fazer, mas me acostumei a lidar com coisas assim, o que podemos fazer é um bom filme e curtir o processo”.

Não foi difícil para Operação Valquíria liderar as bilheterias mundiais, como costuma acontecer com todas as produções que trazem o nome de Tom Cruise à frente de seu cartaz. Interessante ressaltar que na Alemanha, apesar de toda polêmica, rendeu mais que qualquer filme estrangeiro já exibido no país. “Estou muito orgulhoso de quão bem o filme vai indo”, declarou o astro.

Ao lado de outras produções recentes como O Leitor e O Menino do Pijama Listrado, Operação Valquíria parece colaborar para uma mudança na imagem dos personagens daquela época. “Este é um filme de interesse mundial”, aposta Cruise, “quem quiser conhecer a história, vai experimentar história, mas quem busca apenas entretenimento vai encontrar aventura, romance, ação, drama”, acrescenta.

Há algum conflito entre seus lados executivo e artístico? Perguntam a Tom, também produtor do filme, e a resposta vem rápida: “são trabalhos complementares, mas eu sou um ator em primeiro lugar”. E continua, “estou aqui para entreter as pessoas, gosto de me desafiar e não deixo que a parte burocrática do trabalho fique no caminho da concepção artística”.

No final do bate-papo, ao ser questionado sobre um possível interesse em rodar algum filme no Brasil – como vem acontecendo com uma série de astros internacionais – Tom Cruise responde de imediato: “absolutamente sim!”. Conquistados por sua simpatia, jornalistas e fãs torcem por isso.

Versões diversas

Complementando o lançamento do filme, chegam ao Brasil três livros sobre a famosa missão liderada por Stauffenberg. Sob o mesmo título, Operação Valquíria, as obras foram escritas pelo alemão Tobias Kniebe (editora Planeta, 322 páginas, R$ 44,90), o espanhol Jesús Hernãndez (editora Novo Século, 338 págs, R$ 39,90) e, um dos próprios conspiradores, Philipp Freiherr von Boeselager, falecido em maio do ano passado (editora Record, 194 págs, R$ 34,00).
(Entrevista publicada na revista VER VIDEO / Edição 188 / Março de 2009)

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

15h34... saudades de você, Nina 'Bú', uma saudade imensa! Sua presença tão discreta e silenciosa deixou uma ausência gigantesca e dolorosa... esta foi, sem dúvida, uma das semanas mais difíceis das nossas vidas! Saudades de você, meu amorzinho, meu anjinho doce e lindo! Saudades demais...